22.2.10

metade da chuva

Ouve-se a festa. Fecho os olhos e é onde estou. Olho, sorrio e nada desejo. Aproveitamos todos aqueles momentos, como fosse algo diferente: foi e é. Tornou-se algo diferente, alguém parado no meio da multidão em festa.

Havia qualquer coisa.

Havia.

Abro os olhos e o tempo agora está a meio:
meio tempo com frio, outro em desassossego.
Meia hora que demoro a chegar ao trabalho.
Metade da hora de almoço para passear.
Meio caminho andado para qualquer coisa.

Meio ano e a chuva conta os segundos, gota a gota.

Luzes cortam o céu.
Só hoje.
Para mim foram as luzes daquela música que nos viraram um para o outro
e que na noite nos disseram:

Cada um de vocês vai deixar parte de si.

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