8.7.10

o fogo e a noite

o fogo esperava pela noite. após a sua difícil chegada, por ser Verão, finalmente chegou, cansada. mas vinha na escuridão e o fogo parecia uma pequena chama, demasiado pequena para a iluminar. seguiu assim pelas horas em busca de alguma luz, que tentou encontrar nos seus olhos, que chegou a temer. nada encontrou. deixou-se levar pelo que os rodeavam: falavam de barcos e marinheiros. falavam e revolta. falavam de amor. mas a chama, pelos olhos da noite, não parecia aumentar naquele fogo. deixou-se depois levar pelo som que os tinha levado mais que uma vez em busca de calor. mas aquele fogo parecia não querer aumentar, até que o som parou, o tempo e o espaço levou o fogo para longe e a noite ficou presa ao que lhe estava destinado: o seu fim, com o novo dia.

as horas passaram-se e questiona-se pelo fogo. não o vê, não o sente. quer dar-lhe algo mais... mas o fogo esconde-se. a noite seria capaz de lhe dar tudo o que tem: o seu céu, com desenhos nas estrelas, uma lua a tocar magia e o som da cidade adormecida.

pela noite, o fogo podia entrar.



"foi fogo que nos encontrou sozinhos,
queimou a noite em volta,
presos entre chama solta,
presos feitos pra soltar.
(...)
estava escrito
e a noite veio acordar
a guerra de sentidos travada num céu.

nem por um segundo largo a mão
da perfeição do teu desenho
e do teu gesto no meu
foi como um sopro estranho...

... aconteceu.

és noite, és fogo em mim"

Toranja - Fogo e Noite

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